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21/05/2012

21 MAI 2012 : RETOUR SUR LE 1er MAI

 

 

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Manuel CARVALHO da SILVA

 

Presidente do Conselho Pontifício

para a Família antecipa

Encontro Mundial

 

Agência ECCLESIA (AE) — Com a crise laboral que se vive ainda faz sentido comemorar o dia do trabalhador?

 

Manuel Carvalho da Silva (MCS) — Sempre fez sentido e, agora, ainda faz mais. O trabalho, enquanto atividade humana, é o elemento fundamental de integração e inclusão na sociedade, mas é também pelo trabalho que a afirmação do ser humano no seu pleno se obtém. A articulação entre o trabalho como direito universal e os valores da dignidade e responsabilidade humana numa sociedade que se quer cada vez mais universalista e respeitadora da multilateralidade e multiculturalidade entre os povos tem o trabalho como referência central.

 

O 1º de maio tem uma história e foi muito importante que tenha sido instituído como dia de referência do contributo coletivo e da luta coletiva dos trabalhadores para a caminhada da conquista de um conjunto enorme de direitos sociais.

 

AE — Direitos que estão a desaparecer?

 

MCS — Exato. Se olharmos para os bloqueios que a sociedade se encontra — aquilo a que comummente se chama crise, que não está despida de conteúdo de político, mas é um conceito, profundamente, ideológico — e tentar romper esses bloqueios e encontrar caminhos de saída, o trabalho está no centro. O trabalho está no centro para o combate à pobreza — que é primordial -, no combate às desigualdades e em tudo o que se possa discutir sobre o Estado social e no garante dos direitos sociais fundamentais.

 

AE — Em 2012, o trabalho ainda tem essa centralidade?

 

MCS — Está mais do que esteve. Sempre que há uma situação de crise, a emergência do lugar e do valor do trabalho como questão central é primordial para se partir na busca de soluções.

 

AE — A gravidez e o parto dessas soluções estão difíceis… A crise já vigora há alguns anos.

 

MCS — Corremos o risco, em relação ao espaço em que vivemos (Portugal e União Europeia), de a situação se continuar a agravar. O problema não está apenas no aparecimento de soluções, mas no agravamento diário das condições.

 

AE — Com este cenário, faria mais sentido celebrar o dia do desempregado e não o dia do trabalhador?

 

MCS — É preciso celebrar o dia do trabalhador para relevar a violência do desemprego.

 

AE — Nunca se comemorou o 1º de maio com uma taxa de desemprego tão alta?

 

MCS — Em democracia não porque, em ditadura, já. Se há coisa que marcou a sociedade portuguesa durante o século XX é que existia muita ocupação, mas a sua retribuição dava para a subsistência e, muitas vezes, sem dignidade. Não havia o conceito de emprego que temos hoje. O salário foi ganhando conteúdo. A retribuição do trabalho não foi sempre feita pelo conceito de salário que, hoje, temos.

 

A Europa que hoje existe — apesar dos bloqueios grandes — é o espaço geográfico onde os direitos do trabalho ainda estão — em termos comparados — com avanço em relação a outras zonas do mundo e onde há uma relação mais forte entre os direitos do trabalho e os direitos sociais e políticos. No entanto, não teríamos este avanço se não houvesse a luta dos trabalhadores organizada.

 

AE — Foi nos seus tempos de jovem, quando militante da Juventude Operária Católica (JOC), que ganhou essa consciência política, laboral e cívica?

 

MCS - Os primeiros sinais são daí… Recentemente, encontrei um padre mais velho do que eu, em Braga, que já não via há muitos anos, e estivemos a trocar impressões sobre esses tempos da JOC. Os primeiros despertares da observação do trabalho e do seu valor — no ponto de vista do enquadramento conceptual e a sua ligação à dignidade humana — vêm dessa fase.

 

Não posso esquecer também a observação direta. Como era filho de pequenos agricultores, existia a perceção de quem estava sujeito à exploração ou não. Isso foi uma das coisas que os meus pais me incutiram.

 

AE — Outros tempos…

 

MCS - Quando recordo aqueles tempos, verifico que, atualmente e apesar dos bloqueios, fizemos um progresso extraordinário. Neste tempo, a capacidade de produção e distribuição de riqueza é incomparavelmente melhor do que era há umas décadas atrás. Nada justifica que se esteja - em nome da falta de dinheiro e da falta de riqueza - a eliminar direitos das pessoas e a provocar empobrecimento e sofrimento. Há produção de riqueza e dinheiro a circular…

 

AE — Mas essa riqueza está, apenas, na posse de alguns…

 

MCS — Esse é que é o problema, mas é possível continuar o progresso, embora tenhamos de alterar muita coisa no estilo de vida das pessoas. Quando olhamos para a crise, esta não é meramente financeira. Ela é económica porque a secundarização do trabalho na economia levou à desresponsabilização das pessoas a partir do trabalho. A crise é profundamente social… Não se justifica esta pobreza e desigualdades. A crise é política porque temos uma governação não credenciada, visto que os programas que nos impõem não foram sufragados. A crise é de relacionamento das instituições, de valores, de ruturas e disfunções entre gerações, energética e ambiental.

 

AE — Então é fundamental reagir?

 

MCS — Reagir, protestar e dizer: Se há riqueza reparta-se melhor. Hoje, há condições de produzir alimentação no mundo que satisfaça todos os seres humanos.

 

AE — Mas a fome existe…

 

MCS — Não faz sentido haver fome, tal como não faz sentido a irracionalidade do uso de uma série de matérias-primas.

 

AE — Perante um cenário tão negro é urgente alterar o estilo de vida?

 

MCS — Plenamente de acordo. A Europa não terá nas próximas décadas o acesso que teve às matérias-primas nas décadas do seu grande impulso de desenvolvimento. Teremos de valorizar o trabalho social muito mais do que foi valorizado. Isto, se queremos caminhar positivamente. Vamos ter de encarar a gestão da economia distanciando-nos da ideia de todos competirem contra todos numa espiral de loucura. Pode não haver crescimento económico e haver condições de viver melhor.

 

AE — Como se consegue dar a esse ideário uma componente prática?

 

MCS — Não é possível encarar os problemas nacionais sem olhar, simultaneamente, para os problemas europeus e globais. O que não se pode é ficar à espera deles e, muito menos, esperar que os outros nos façam a governação que nos interessa. Cada um de nós tem de tratar do seu projeto. Há dimensões da crise que obrigam a novas formas de agir. Os caminhos alternativos não são complexos. São difíceis de construir, mas são feitos de conteúdos muito simples. As respostas à atual situação passam mesmo por opções muito simples como o dar prioridade ao combate à pobreza…

 

AE — Todos os programas eleitorais colocam essa prioridade em destaque.

 

MCS — Mas depois fazem o contrário. É fundamental ter presente que cada medida que empobrece a sociedade amputa liberdade às pessoas. A pobreza elimina liberdade e destrói a democracia.

 

É necessário identificar a verdade para sabermos agir e para onde caminhar. Esta inevitabilidade conduz aos medos e à resignação. As pessoas necessitam consciencializarem-se dos seus medos e da limitação que os medos lhe provocam. Depois, têm de romper essa limitação.

 

Não se sai da crise através de uma varinha de condão. É preciso criar nas pessoas uma carga forte de responsabilização. Os processos que vivemos nas últimas décadas desresponsabilizaram. Ainda neste contexto, é urgente uma governação com ética e com responsabilização. Não se sai dos buracos atuais, enquanto o povo não reconhecer numa governação (não é apenas o governo) que tenha ética, rigor e transparência.

 

AE — Como contestar o atual modelo de governação?

 

MCS — Em primeiro lugar, a cidadania. Estamos muito distanciados… Precisamos de seres humanos interventivos porque discutir e pensar dá imenso trabalho. Estamos num tempo de apelo forte ao pensamento e à ação. É mesmo preciso pensar…

 

AE — Mas primeiro é fundamental cumprir o memorando da Troika?

 

MCS — Na governação atual apresentam-nos o memorando ou a governação da Troika como uma inevitabilidade que afinal não é tão inevitável quanto isso. Veja-se o que o FMI tem dito nas últimas semanas: «Estes programas de austeridade não têm saída e que a austeridade generalizada que eles andaram a vender como caminho não é a saída porque são necessários programas de crescimento».

 

Temos falta de uma estrutura financeira que se volte para o apoio à economia. A banca que temos, neste momento não dá atenção nenhuma ao setor produtivo. Para se sair da crise e resolver o problema do emprego é fundamental apoiar e dinamizar as pequenas empresas. As multinacionais e os grandes grupos que dominam o mundo não estão voltadas para responder ao problema real do desemprego e da criação de atividades económicas úteis.

 

Não se pode pegar no memorando da Troika e dizer que isto é de interesse nacional porque é uma falácia total e uma mentira do tamanho do país.

 

AE — Quem está a falar é o académico que fez uma tese de doutoramento sobre «Trabalho e Sindicalismo em tempo de globalização» ou o sindicalista Manuel Carvalho da Silva?

 

MCS — É um cidadão que aprendeu na vida, no sindicalismo e na academia.

 

AE — As marcas católicas dos seus tempos juvenis ainda se mantêm?

 

MCS — Essas mantêm-se. A nossa formação de infância e juventude tende com o caminhar da vida a reafirmar-se com alguma força.

 

AE — Há meia dúzia de anos, disse que era católico, mas não praticante. Já passou para a classe dos praticantes?

 

MCS — (Risos)… Está a confessar-me… Eu tenho as minhas práticas. Gestos e atitudes que todos os dias tomo e que estão relacionadas com a minha formação católica, mas que não se metem nos parâmetros formais com que, normalmente, é feita a leitura do que é ser praticante. O praticante é mesmo a vida vivida. Tenho estado em várias iniciativas promovidas por organismos da Igreja Católica.

 

AE — O contacto com o mundo do trabalho deu-lhe uma visão abrangente a realidade portuguesa?

 

MCS — Sou um privilegiado. Tive a sorte de fazer um percurso de vida no mundo do trabalho. Partilhando e vivendo problemas que me permitem ter grelhas de leitura.

 

AE — Como está o projeto do observatório sobre a crise e alternativas?

 

MCS — É um caminho que se está a iniciar e um projeto criado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, mas com a colaboração da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Através deste observatório tentaremos dar contributos ao nível da gestação de alternativas. Queremos produzir relatórios e observações regulares.

 

Source : Agencia Ecclesia

 

 

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20/02/2012

20/02/2012: JEUNESSE ET CHRISTIANISME

À Braga (Portugal), se tient actuellement une Semaine d’Études Théologiques. L’article ci-dessous, (source : « Diario do Minho ») rend compte d’une Conférence sur la JEUNESSE, donnée dans le cadre de cette semaine par Riccardo TONELLI, professeur émérite de l’Université Salésienne de Rome)

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Riccardo Tonelli defende mudança de linguagem

Igreja desafiada a dar sentido e esperança aos jovens

Jorge OLIVEIRA

 

 

Riccardo Tonelli, professor emérito da Universidade Pontifícia Salesiana, de Roma, disse ontem, na conferência de abertura da XX Semana de Estudos Teológicos, em Braga, que o tempo atual, de crise, é desafiador para Pastoral Juvenil. Para este teólogo, a pastoral juvenil deve, antes de mais, preocupar-se em fazer que cresça em cada jovem «a busca de razões para viver e para esperar».

A segunda tarefa, indicou, requer um «corajoso e urgente salto de qualidade», que consiste em apresentar o Evangelho como «algo que revoluciona radicalmente a vida».

Afirmando que estamos hoje numa «emergência educativa», Riccardo Tonelli salientou que é preciso levar os jovens a «viver de mãos levantadas, apelando a alguém que as acolha».

«A grande maioria dos jovens acha-se órfã no sentido da esperança e no sentido da vida. Até para as coisas mais funcionais há sempre alguém que pretende entrar na nossa vida e tudo isso produz uma situação trágica de orfandade», sustentou.

Segundo este especialista em pastoral juvenil, os jovens de hoje estão todos concentrados no presente («o futuro é incerto e angustiante») e sofrem, porque o niilismo «penetra-lhes os sentimentos, confunde-lhes os pensamentos, apaga-lhes perspetivas e horizontes, enfraquece-lhes a alma, entristece-lhes as paixões tornando-as vazias».

 

Igreja desafiada a dar sentido e esperança aos jovens

 

«O retrato é trágico. Quem conhece os jovens e convive com eles, quem puder ir ligeiramente para além do pequeno círculo restrito daqueles mais empenhados, não terá muita dificuldade em reconhecê-lo como dolorosamente realista», disse. Contrariando os que consideram que os jovens do tempo hodierno estão à procura de experiências religiosas, de espiritualidade, o autor da obra “Rejuvenescer a Igreja” defendeu que é necessário adequar a linguagem àquilo que todos os jovens procuram, mesmo nas expressões mais perturbadas, que é um sentido para as suas vidas e esperança.

«Temos que esquecer aquela linguagem sobre Jesus com que fomos habituados a falar aos jovens, que chamo de matematiquês, e substituí-la por uma língua muito difícil de aprender, o amorês, de amor», defendeu.

A XX Semana de Estudos Teológicos, subordinada ao tema “A Pastoral juvenil numa Igreja jovem” decorre até amanhã, no Auditório Vita, sendo organizada pela Faculdade de Teologia, núcleo de Braga, da Universidade Católica.

No primeiro dia, além da conferência de Riccardo Tonelli, sob o tema “A juventude à procura”, realizou-se uma mesa redonda, centrada numa análise à realidade dos jovens, segundo perspetivas da Antropologia, Sociologia, Psicologia, Educação e numa abordagem às novas tecnologias de comunicação (Internet, redes sociais), com a presença de Lina Morgado, da Universidade Aberta, Lisboa; Alfredo Teixeira, da Faculdade de Teologia da UCP de Lisboa; e Ângela Azevedo, da Faculdade de Filosofia de Braga.

Destas intervenções ressaltou a ideia de que os jovens hoje não estão tão afastados

da Igreja como se possa supor e «sabem o que são, o que querem e para onde vão».

Por outro lado, foram contrariados alguns mitos acerca da utilização da Internet/redes sociais pelos jovens, como estes serem nativos e ingénuos digitais ou desvalorizarem a privacidade e terem comportamentos de risco. Contudo, foi defendido que é necessário investir na formação e segurança.

O dia de hoje centra-se numa reflexão teológica, através de duas conferências: a primeira proferida por Miguel Angel Medina Escudera, da Universidade Eclesiástica S. Dâmaso, de Madrid, intitulada “Desafios do crer, hoje”, e a segunda por João Duque, presidente do centro regional de Braga da UCP e docente da Faculdade

de Teologia, com o tema “Novos ídolos, desafios de sempre”.

O cónego Joaquim Félix, da Faculdade de Teologia de Braga, explicou que com estas conferências pretende-se «compreender melhor a realidade juvenil» e caracterizá- la a partir das diferentes ciências humanas. Além disso, esta é também uma contribuição da Igreja bracarense para a iniciativa Braga 2012: Capital Europeia da Juventude.

Diario do Minho. 16/02/2012

 

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15/02/2012

RENCONTRE DE PERSONNES ÂGÉES DE 7 À 70 ANS

ENTRETIEN ENTRE PERSONNES

 

ÂGÉES DE 7 À 70 ANS

 

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«Vivre ensemble, c’est vivre avec quelqu’un d’autre qu’on aime. Ou même quelqu’un qu’on n’aime pas », observe Jalil du haut de ses 7‑ans. « Et aussi les inconnus dans la rue, complète Madeleine, 13‑ans. Il faut respecter les gens. » Ce sont les adolescents qui le mentionnent‑: pour vivre ensemble, il faut des règles. Autour d’eux, les aînés approuvent en souriant. Kalaï, 16‑ans, affirme qu’« il n’y a pas de société sans règles », avant d’ajouter qu’une règle absurde « ne sera sûrement pas respectée ».

Si la société française pose des lois pour mieux vivre ensemble (« comme porter assistance aux personnes en danger », dit Camille, 15‑ans), l’adhésion personnelle reste essentielle. « On ne peut pas obliger les gens à vivre ensemble », estime la collégienne.

Thomas, lecteur de La Croix de 37‑ans, souligne l’importance du sens‑: « Si on ne sait pas pourquoi on veut vivre ensemble, on va se décourager, car c’est compliqué ! » Les plus jeunes envisagent mal en tout cas une vie sans les autres. « On serait seuls ! », dit Madeleine. « Il y aurait beaucoup de guerres », prédit Jalil. « Chacun pour soi, je trouverais ça horrible », tranche Émile, collégien.

Le défi est immense, mais il en vaut la peine, disent de concert les participants de 7 à 70‑ans. Tous s’accordent sur un élément essentiel pour vivre ensemble‑: l’égalité. « Égalité devant la loi, la santé, l’éducation », énumère‑Michel, lecteur de Notre Temps. « Il faut que tout le monde ait les mêmes droits », signale Emilio-Kodjo, 10‑ans. Certaines inégalités sont vite pointées du doigt, à commencer, côté ados, par « le président de la République qui vit dans un palais et se déplace avec quinze gardes du corps, comme s’il avait peur de son peuple ». Les écarts de richesse sont unanimement dénoncés. « Un riche est plus écouté qu’un pauvre », juge Nicolas, 18‑ans. « On n’a jamais produit autant de richesses, mais elles n’ont jamais été aussi mal réparties, note Thomas. Ce mauvais partage provoque un sentiment d’injustice qui rend le vivre ensemble plus diffcile. »

Retraitée à l’accent chantant, Giovanna évoque l’après-guerre « où la plupart des gens étaient dans le besoin, mais se sont mobilisés pour changer. Aujourd’hui, la crise pourrait être une opportunité, mais on a peur de perdre ce qu’on a ». Notre société manquerait de solidarité au point que certains voudraient inscrire cette valeur au fronton des mairies. « ‘‘Fraternité’’, c’est trop fort, estime Nicolas. Soyons déjà solidaires. » « ‘‘Fraternité’’ a une connotation religieuse qui ne parle pas à tout le monde », ajoute un aîné. « Et la religion, parfois, ça empêche de vivre ensemble », dit Émile. Thomas s’étonne qu’elle soit perçue comme source de divisions‑: « Pour moi, c’est tout le contraire ! »

C’est la question du communautarisme qui affleure ici. « ‘‘Des communautés’’ et ‘‘une communauté’’, c’est presque des mots contraires », analyse Camille. « C’est vivre ensemble juste avec ceux qui nous ressemblent », résume Kalaï. Thomas est d’accord‑: « Quel intérêt de ne vivre qu’avec d’autres

soi-même ? L’intérêt c’est de vivre entre hommes et femmes, jeunes et vieux, riches et pauvres… Compliqué, mais c’est un choix de société ! » La religion devrait y trouver sa place, « non pas en limitant la croyance de chacun, mais en la respectant. Vivre ensemble, ce n’est pas gommer les différences, mais les accepter pour partager quelque chose ». « J’ai du plaisir à vivre avec tous ceux qui ont quelque chose à partager, témoigne Kalaï. Que ce soit faire des blagues, du bateau ou cultiver des patates! »

Vivre ensemble suscite aussi des images‑: mains qui se serrent, repas de quartier, jardins ouvriers… Adolescents et adultes se retrouvent autour de l’évocation d’un concert ou d’un match de foot, moments de communion festive entre différents âges et milieux sociaux. Les enfants ont fait ensemble un dessin‑: une planète entourée d’une ronde de bonshommes de toutes les couleurs, petits, grands, gros, maigres, avec des lunettes, une cicatrice ou des taches de rousseur… au-dessus, la phrase « Il y a des différences dans le pareil », un soleil qui dit « Je suis avec vous »

les bébés à naître », une flèche « entrée libre » et une « pour ceux qui ne veulent pas entrer dans la chaîne ». « Si un jour ils veulent venir », précise Jalil de sa voix enfantine. Les plus grands, conquis, applaudissent. « C’est génial ! », s’exclame Michel. « Je n’aurais jamais pensé à ça à leur âge », s’étonne Virginie. Le «‑vivre ensemble‑» s’illustre aussi dans ce moment, et cet après-midi d’échanges enthousiastes entre générations.

AZILIZ CLAQUIN (« LA CROIX » 15/02/2012)

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31/12/2011

UNE FAMILLE CHRÉTIENNE, ÇA EXISTE ???

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L’importance d’une nouvelle

évangélisation conjugale

 

 

Le Christ est le vrai libérateur du couple, de la relation amoureuse, de la sexualité et du corps.

 

 

Selon une étude récente rapportée par La Croix (du 28 septembre ) , nos contemporains plébiscitent à près de 80 % le modèle de vie de couple et de famille que l’Église propose depuis toujours : un couple, homme et femme, s’aimant, stable et fidèle tout sa vie, avec leurs enfants… Ce modèle conjugal – pourtant si décrié ou ringardisé par la culture ambiante – répond bel et bien à des attentes existentielles profondes. Or, nous savons qu’aujourd’hui la grande majorité des couples « sérieux» ne finiront pas leur vie ensemble, et le vivront comme un échec profond et très douloureux.

Puisque croyants et incroyants aspirent de fait à vivre ce que l’Église prône, on peut penser a priori que la pastorale familiale est à même de répondre aux attentes des couples ou de secourir les familles en souffrance. Or, une autre enquête (Pèlerin du 6 octobre) montre qu’à peine 6 % de la population reconnaît l’Église comme susceptible de lui apporter une aide en matière conjugale et familiale ! Ainsi, l’Église – et par là même, la foi et Dieu lui-même – apparaît quasi disqualifiée sur ces questions, alors qu’elle devrait être reconnue comme le premier artisan du modèle et du projet qu’elle défend. Il faut lucidement reconnaître que notre échec pastoral est patent en ces domaines ; malgré cela, le courage du diagnostic, l’effort de réflexion et l’innovation apostolique restent encore bien trop maigres…

Pourtant, cette situation n’est en rien une fatalité ; au contraire, elle est une opportunité : pour rejoindre nos contemporains, l’Église doit repartir du contraste saisissant entre leurs fortes aspirations en termes de couple et de famille, très proches de fait du modèle conjugal chrétien, et tant de vécus si douloureux ou décevants. Ce contraste avive des peurs mais aussi de grandes attentes ; il crée comme un « appel d’air », un vaste champ missionnaire qui rappelle l’expérience apostolique première : « nous étions enfermés avant la Révélation » (Ga 3, 23), esclaves de nos affectivités désordonnées, comme « toute la création (qui) aspire à la Révélation et gémit dans les douleurs de l’enfantement » (Rm 8, 18-19).

La mission de l’Église ne peut donc se contenter de compassion et de conseil face aux situations conjugales difficiles, ou de défense et de promotion de valeurs chrétiennes sur le couple et la famille pour endiguer une telle crise. Sinon, nos pastorales continueront à récolter de bien maigres résultats, et tant de conjoints iront encore à l’échec de leur projet central de vie. L’Église est donc appelée à revenir à l’essentiel : annoncer, proposer et conduire à la source du dessein et du salut conjugal par une prédication apostolique nouvelle, pertinente et attractive, par une nouvelle évangélisation dont le champ missionnaire est « inséparable de la famille » et dont les couples chrétiens sont les « acteurs majeurs », affirme Benoît XVI.

À l’occasion du futur synode d’octobre 2012, il est donc essentiel que notre pastorale s’engage bien plus clairement dans la nouvelle évangélisation de l’amour conjugal car le Christ est le vrai libérateur du couple, de la relation amoureuse, de la sexualité et du corps. « Sans le Christ, le couple court un grave danger», disait Jean-Paul II. L’Église doit donc davantage confesser et annoncer le salut appliqué au mariage et à la sexualité, et rendre compte des œuvres concrètes de salut dans des vies de couples, de familles, de jeunes : témoigner ainsi des oeuvres de consolation et de guérison, de pardon et de paix, de fécondité et de vie, de libération vécue grâce au Christ. Le monde a tant besoin de voir, de toucher et d’entendre ce que Jésus-Christ peut faire pour qui se tourne vers lui. Deux grands domaines caractérisent l’héritage de Jean-Paul II : la nouvelle évangélisation et son enseignement renouvelé sur le couple et la sexualité, qui, associés, forment au regard de notre expérience missionnaire, depuis près de trente ans, une sorte d’« autoroute » pour l’évangélisation, un canal missionnaire très fructueux tant l’attente de « sauver l’amour » est forte et universelle.

Sont donc réunis aujourd’hui les composants d’une véritable « bombe pastorale», pour reprendre les termes du cardinal Angelo Scola, évoquant l’enseignement de Jean-Paul II « lorsqu’il sera vraiment compris et intégré dans l’Église ».

Benoît XVI confiait après son élection qu’il percevait combien sa mission « essentielle et personnelle » serait de déployer « le patrimoine richissime de l’enseignement de Jean-Paul II qui n’est pas encore suffisamment assimilé par l’Église ». Le pape réalise aujourd’hui ce pour quoi il croit avoir été élu : sous l’impulsion de l’Esprit Saint, il a bel et bien allumé la mèche de la « bombe pastorale» de Jean-Paul II : la nouvelle évangélisation, et de manière toute prioritaire, en matière conjugale et sexuelle.

(1) BLOG ET SITE : www.evangilepourlecouple.fr

Alex et Maud Auriot-Prevost, auteurs d’une trilogie L’Évangile pour le Couple

17:56 Publié dans Société | Commentaires (0)

05/12/2011

UN TÉMOIGNAGE BOULEVERSANT

Ci-dessous, le témoignage bouleversant donné par « La Croix » sur un « grand homme », sous-préfet, chrétien, diacre, et… tétraplégique, victime d’une terrible maladie « orpheline », appelée l’alphasarcoglycanopathie.

 

 

 

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JEAN-CHRISTOPHE PARISOT

un sous-préfet suractif

 

 

 

 

Chargé de la cohésion sociale en Languedoc-Roussillon, tétraplégique sous assistance respiratoire, il assume d’importantes responsabilités. Un véritable témoignage de vie.

 

 

«J’aime la vie. Personne ne peut m’interdire de le proclamer . »

L’homme qui parle ainsi a 44 ans. Il est en pleine force de l’âge. Mais sa force à lui ne réside pas dans ses muscles. Jean-Christophe Parisot, sous-préfet chargé de la cohésion sociale dans la région Languedoc-Roussillon, ne dispose ni de ses jambes ni de ses bras, pas même de ses mains. Un seul doigt reste mobile et lui permet, moyennant l’assistance

du clavier virtuel Clavicom, d’utiliser un ordinateur et de diriger son fauteuil électrique. Joignant le geste – très limité – à la parole, le voici démontrant l’astuce à son visiteur : « L’informatique a restauré ma capacité de communiquer et de travailler en parfaite autonomie. »

Calé contre l’appui-tête de son véhicule qui supporte à l’arrière les batteries actionnant son appareil d’assistance respiratoire, le haut fonctionnaire nommé à la préfectorale en 2008 par le président de la République explique son cas sans faux-semblant : « Je suis atteint d’une forme de myopathie appelée l’alphasarcoglycanopathie, maladie évolutive dont je ne connais pas le terme, ce qui rend chaque jour plus précieux. Mes muscles se détruisent peu à peu, je suis un survivant permanent, j’ai pleinement conscience du déclin de ma vie physique. »

Intellectuellement autonome et ô combien créatif, efficace et volontaire, Jean-Christophe Parisot est matériellement très dépendant d’autrui depuis l’enfance : il a perdu l’usage total de ses jambes à 13 ans et celui de ses mains à 17 ans. Quatre assistants aux compétences diverses se relaient pour l’accompagner dans les gestes quotidiens, dont Flore, qui l’a suivi volontairement lors de sa nomination à Montpellier, depuis Cahors, où il avait été nommé sous-préfet du Lot, et qui ce jour-là l’assiste pour déjeuner. En plein accord avec cette vision du monde que développe son « patron» : « On nous présente la dépendance comme une malédiction, comme si le fait d’être coupé des autres allait nous rendre heureux. Moi, je suis foncièrement opposé à ce mot de Jean-Paul Sartre selon lequel l’enfer, c’est les autres, je pense au contraire que la source du bonheur réside dans le lien avec les autres. »

Cette conviction aura toujours déterminé ses choix. Affaire d’éducation, certainement, partagée avec ses deux soeurs, Florence, l’aînée, et Anne-Sophie, la cadette, toutes deux atteintes de la même maladie et avec lesquelles il se sent une immense complicité, mais aussi affaire d’engagement personnel : « Un de mes grands-pères, arrêté par la Gestapo, est mort à 33 ans parce qu’il avait caché des déserteurs allemands, des juifs et des réfractaires au STO. Prévenu la veille de son arrestation, il n’a pas fui pour autant, afin que

nul autre n’ait à porter cette responsabilité. Il a donc su qu’il allait donner sa vie. Dans ma famille, on a appris très tôt que celle-ci est plus importante par la qualité que par la quantité d’années, et que ce qui compte vraiment, c’est de se donner aux autres. » Là aussi, la raison pour laquelle ce docteur en sciences politiques a décidé de se mettre au service de la République : « Ce combat professionnel dure depuis vingt ans. Je suis entré dans le service public avec la volonté de faire avancer la société. Je voulais servir la collectivité. Et j’ai eu la chance de rencontrer des gens qui m’ont donné envie de continuer. » Parmi cet entourage porteur, voici ce que dit de lui Brigitte Fouré, ancienne maire d’Amiens après le règne de Gilles de Robien (UDF), qui l’a longtemps côtoyé quand il était administrateur dans la « capitale » de la Somme, de 1997 à 2008 : « Dépendant de tous, c’est pourtant lui qui donne la force à son entourage. Mais cette force n’est jamais agressive, elle est faite de conviction. »

Jean-Christophe Parisot a maintes fois fait la preuve d’un vrai caractère : ainsi, il n’hésite pas à dénoncer le mépris vis-à-vis de la différence, notamment celui des soignants pour les personnes vulnérables, ou encore la maltraitance, « la chose la plus indigne de l’humanité». « Qu’on appelle légumes des personnes souffrant d’un très grave handicap, cela me met hors de moi. Quelqu’un qui vit comme un naufragé demeure un être humain. »

Alors, il agit. À sa manière. Par exemple, il n’a pas refusé, récemment, de passer en revue, assis dans son fauteuil roulant, des militaires debout et en arme : « J’ai eu le sentiment de participer à une révolution symbolique en donnant à la faiblesse physique toute sa place, moi qui porte sur mon uniforme les feuilles de chêne symbolisant la force. » De même, ce catholique profondément croyant, ordonné diacre en 2002 parce que, selon lui, « la diaconie, c’est manifester l’envie de serapprocher de ceux qui sont éloignés », n’a pas eu peur de créer une association « Cathos pour le Téléthon » lorsqu’en 2006 un groupe de fidèles du Var décida d’appeler au boycott de cette initiative qui finance un certain nombre de recherches menées à partir de cellules souches embryonnaires. Alertant tous les évêques pour leur signifier qu’il était inacceptable de jeter la suspicion sur la générosité du public, Jean-Christophe Parisot fut ainsi à l’origine des propos apaisants que plusieurs d’entre eux ont cosignés : « Cette affaire est aujourd’hui classée, mais je suis heureux d’avoir permis à des gens qui n’osaient plus aller à l’église parce qu’ils se sentaient rejetés, humiliés, d’y retourner. »

Amoureux de Katia depuis l’adolescence, marié avec elle, ils ont eu quatre enfants : « Jean-Baptiste, Joseph, Claire-Marie, Joachim m’ont toujours vu comme ça. Pourtant, de me regarder partir le matin au travail après deux heures de soins intensifs, ils sont impressionnés. Je suis sûr qu’ils pensent qu’il faut en vouloir! » Car, de fait, leur sous-préfet de père ne ménage pas sa peine : « J’occupe un poste à grosses responsabilités, et c’est un témoignage, pour mes proches. » La cohésion sociale dont il a la charge en Languedoc- Roussillon comporte de multiples dossiers : « Nous sommes ici une véritable autoroute migratoire, nous attendons 800 000 nouvelles arrivées dans les quinze ans qui viennent. Un défi colossal en termes d’intégration, d’urbanisme, de vivre ensemble! » Au-delà des problèmes techniques, Jean-Christophe Parisot intervient auprès des cabinets ministériels, lance des idées, fait part de ses observations pour préparer l’avenir : « Le monde occidental est entré dans l’ère du nomadisme. Les Gitans, nombreux sur ce territoire, sont des précurseurs. Aujourd’hui, sur nos côtes, vivent des milliers de campeurs permanents n’ayant plus de quoi payer les loyers des immeubles qu’ils occupaient. Il y a là un décrochage social, mais aussi un moyen de reconstruction d’une nouvelle vie. » Selon le sous-préfet, cela va obliger les pouvoirs publics à se saisir de nouvelles questions qui vont complètement modifier les rapports familiaux, de voisinage, etc.

La nouveauté ne fait pas peur à cet homme d’action, très investi par ailleurs dans le milieu associatif : il a fondé « Vaincre l’Alpha » en 2008 (1) pour aider à la recherche contre la maladie dont il est atteint.

Il assure aussi la correspondance régionale de l’Agence nationale de lutte contre l’illettrisme (ANLCI), qui touche dans certains secteurs comme en milieu rural ou dans les quartiers en difficulté pas moins de 30 % de la population. Jean-Christophe Parisot s’intéresse également

au combat contre l’illettrisme dans les prisons : « Si là nous ne faisons rien, nous préparons des bombes humaines pour demain ! » Passionné pour son pays, il dit que « le patriotisme est parfois perçu aujourd’hui comme un gros mot. Moi, j’ai le sens du drapeau, de ma patrie, de mon pays, de ses valeurs, de son état de droit. Nous avons la chance d’avoir ici des règles, des normes héritées de plusieurs siècles de travail qui font que le droit est supérieur à la force. »

Et que s’impose le respect de tout être humain, quelles que soient ses origines, ses opinion ou sa situation.

Bien placé pour le savoir, Jean- Christophe Parisot observe la gêne de certains à le saluer. Alors il les invite à lui poser la main sur l’épaule puisqu’il ne peut tendre la sienne. « J’avais expliqué comment faire à un conseiller général. Avant ma tournée dans son canton, il avait ainsi prévenu tout le monde. Depuis, quand je croise des gens qui me mettent la main sur l’épaule, je sais de quel canton ils viennent ! »

LOUIS DE COURCY (« La Croix » du 03/12/2011)

(1) 21, route de Nogent, 78113 Grandchamp.

Tél. : 06.01.91.11.52. www.vaincrelalpha.com

 


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10:25 Publié dans Société | Commentaires (0)

 
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