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26/04/2012

26 AVRIL 2012 : HIER, LE PORTUGAL SE SOUVENAI DU 25 AVRIL 1974

PORTUGAL : LE 25 AVRIL 1974

 

(Hier, c'était jour férié au Portugal : anniversaire de la "Révolution" de 1974, connue sous le nom de "Révolution des oeillets", car elle fut toute pacifique, quoique lourde de conséquences pour l'avenir du pays : ce jour-là, ce fut l'armée qui prit l'initiative, sous la direction de quelques hauts gradés : mais l'armée savit qu'elle avait le peuple avec elle : les Portugais étaient las de l'inutile et meurtrière guerre coloniale que le gouvernement de l'époque (successeurs de SALAZAR) menait contre ses possessions africaines : Mozambique, Angola, Guinée-Bissau, Cap Vert... Le Portugal ne voulait plus , ni du régime dictatorial, ni de cette guerre sans issue... Aussi, mes militaires qui occupèrent les lieux stratégiques de Lisbonne et d'ailleurs, le firent sans violence : ils défilaient avec des oeillets rouges piqués dans le canon de leurs armes! Mais le gouvernement en place comprit aussitôt et abdiqua : ce fut le début de la nouvelle République... Après diverses péripéties, au cours desquelles les communistes faillirent s'emparer du pouvoir... mais sans succès! Un régime vraiment démocratique s'établit, ce qui permit au portugal d'entrer dans la Communauté Européenne, et de profiter largement des largesses accordées alors aux nouveaux membres... Les années ont passé, avec des alternances gauche-droite, mais dans le respect de la démocratie. Actuellement, le Président de la République comme le Gouvernement sont de droite... et le pays traverse une grave crise économique, comme la Grèce, l'Espagne et l'Italie)

 

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25 de abril: Liberdade constrói-se na relação e no compromisso

Historiador e economista recordam 1974 e apontam perspetivas de futuro para Portugal, 38 anos após a revolução que marcou a transição para a democracia

Lusa

 

Lisboa, 25 abr 2012 (Ecclesia) – Os principais alicerces da liberdade são as relações humanas, o compromisso com causas comunitárias e a recusa do individualismo, consideram o historiador António Matos Ferreira e o economista Joaquim Cadete.

 

Assinalando o 38.º aniversário da ‘Revolução dos Cravos”, que a 25 de abril de 1974 desencadeou em Portugal o processo de transição para o regime democrático, o programa ECCLESIA na Antena 1 foi à procura da liberdade a partir da ótica cristã.

 

“O esforço de nos libertarmos e quebrarmos cadeias não pode ser experimentado fora da relação que temos uns com os outros”, frisa António Matos Ferreira.

 

O diretor do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa lembra as pessoas “que viveram em liberdade nas experiências mais extremas, como na opressão e na injustiça”.

 

Em contrapartida há sociedades que “aparentemente não têm constrangimentos” à liberdade mas onde os indivíduos são incapazes de a viver plenamente, dado que ela exige uma consciência pessoal “aberta” e “profunda”.

 

Emissão 22-04-2012

“Todo o ser humano é limitado; esta perceção é muito importante para a consciência da liberdade, que não assenta na ideia de que tudo é radicalmente possível mas de que se é capaz de imaginar e viver algo bom, mesmo com as nossas limitações”, aponta.

 

Para Joaquim Cadete a liberdade no Ocidente “é muito centrada no individualismo”, pelo que é preciso “maior interligação” entre as pessoas que vivem em comunidade e o regresso a um conjunto de “valores e princípios”.

 

O empresário diz que é necessário acentuar “os deveres associados à liberdade”: “Fomos centrando a liberdade nos direitos adquiridos mas só se pode falar deles se houver a capacidade de continuarem a ser respeitados”.

 

Após a revolução os portugueses ganharam a “ilusão da conquista da liberdade”, sem perceberem “que tinham perdido imensamente em termos financeiros”, o que conduziu ao pedido de intervenção do Fundo Monetário Internacional, recorda Joaquim Cadete.

 

A atual sujeição de Portugal ao memorando da ‘troika’, no seguimento da “ilusão da Europa”, sinaliza que a liberdade está relacionada com a economia e a globalização.

 

António Matos Ferreira salienta que segundo a experiência cristã “a liberdade é interior mas sempre referenciada a algo exterior”: “Isto é muito claro para os cristãos quando afirmam que Jesus é um homem livre. Em muitos aspetos ele foi esmagado pelas circunstâncias mas a sua liberdade residia na relação íntima [com Deus Pai]”.

 

“Para o crente o amor é mais forte do que a morte, o mal e o pecado. Este é o cerne da liberdade e da relação”, refere.

 

O historiador frisa que “a liberdade é por vezes uma experiência dolorosa, difícil e contraditória”, mesmo nas comunidades crentes.

 

“O maior risco é uma autossuficiência dos cristãos, quase considerando que podem prescindir dos outros”, arriscando por isso “ter uma intervenção demasiadamente arrogante”, alerta.

 

O responsável chama a atenção para o risco de “perda da identidade” do cristianismo, provocado por uma “profunda dicotomia” no interior das comunidades.

 

“Somos cristãos quando nos reunimos e consideramos que partilhamos os mesmos valores e liturgia, mas temos enorme dificuldade em estarmos presentes no mundo”, conclui.

 

PRE/RJM

 

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06/02/2012

6 Février 2012: BRAGA, CAPITALE EUROPÉENNE DE LA JEUNESSE 2012

 

Une place de Braga.jpg
Une place de Braga (Portugal)

 

 

Arcebispo de Braga exorta jovens

a viver CEJ 2012 com responsabilidade

 

 

O Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, apelou ontem ao sentido de responsabilidade dos jovens, a propósito das iniciativas que se vão realizar no âmbito da iniciativa Braga 2012 – Capital Europeia da Juventude, desafiando- os a não se ficarem pela procura de «sensações e emoções passageiras».

«Este é o grande risco que podemos correr nos diversos eventos que vão acontecer

durante este ano. Ficar só pelas emoções do imediato pode parecer que nos enriquece, mas efetivamente ficamos mais pobres», disse o prelado.

 

D. Jorge Ortiga, que falava na abertura do Fórum da Juventude, iniciativa organizada

pela Arquidiocese de Braga, pediu ainda aos jovens que sejam «ativos» e «interventivos» nos vários âmbitos da vida, e não façam da juventude um passatempo. O prelado aproveitou este encontro com animadores e responsáveis da pastoral juvenil da diocese, no qual esteve o principal responsável de Braga: Capital Europeia da Juventude 2012, Hugo Pires, para divulgar a sua saudação aos jovens por ocasião do evento.

 

Nesta mensagem, escrita em três línguas (português, espanhol e inglês), o prelado transmite uma palavra de reconforto e esperança a todos os jovens, afirmando que eles «não são o problema» neste «tempo controverso», em que a «cultura moderna, difundida pelos media e fruto da revolução tecnológica, invade, sem pedir licença, a interioridade de cada um» e a «subjetividade apresenta-se

como um valor».

«A Igreja entende as vossas angústias e reconhece-vos como sujeitos criativos em muitos âmbitos da vida: nas artes, na música, na poesia, no desporto, etc. Por isso, é em vós que a sociedade deposita a esperança do futuro, pois vós sois, por natureza, os construtores da paz e da justiça», lê-se no desdobrável, que começa hoje a ser distribuído pelas paróquias da Arquidiocese.

 

D. Jorge Ortiga realça que a Europa e, de um modo particular neste ano 2012, a cidade de Braga, continua a olhar para os jovens como «imprescindíveis interlocutores da paz, da esperança e da solidariedade em que se alicerça a humanidade e, nesse sentido, pretende criar espaços de diálogo, de reflexão e de expressão dos ideais que continuama fazer os jovens rumar contra o desalento que caracteriza a sociedade moderna».

 

Em nome da Igreja bracarense, saúda e convida os jovens a viver com «entusiasmo,

com alegria, mas sobretudo, com responsabilidade» a diversidade de experiências que a Capital Europeia da Juventude (CEJ 2012) proporcionará ao longo deste ano.

«Contai com a nossa presença amiga e, se quiserdes, oferecei-nos algo do vosso entusiasmo e modo alegre de viver a vida como diz Bento XVI: a Igreja precisa do dinamismo da vossa esperança », sugeriu.

 

Hugo Pires espera que as ideias e propostas dos jovens da Arquidiocese ajudem «a fazer da comunidade uma comunidade melhor e alguns valores que se foram esvaindo ao longo do tempo renasçam e estejam bem presentes na juventude portuguesa». Das várias iniciativas agendadas pela Diocese, o vereador da Câmara de Braga destacou o espetáculo do grupo internacional Gen Rosso, no PEB, por altura do Dia Arquidiocesano da Juventude, entre 11 e 14 de abril, e a Aldeia das Religiões, em Priscos, pelo Natal, um momento que, disse, «se espera de tolerância e diálogo entre todas as confissões religiosas».

Enquanto entidade parceira da CEJ 2012, a Igreja de Braga tem preparadas várias iniciativas voltadas para os jovens, a primeira das quais o Fórum da Juventude que está a decorrer desde ontem no Auditório Vita.

Jorge OLIVEIRA

(Diario do Minho, 05/02/2012)

 

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10/10/2011

BRAGA : HOTEL "BETÂNIA"

BRAGA : HÔTEL « BETÂNIA » POUR SENIORS

(Les moeurs portugaises ne sont décidément pas les nôtres : voici que l'archi-diocèse de Braga vient d'ouvrir un hôtel, l'"HOTEL BETÂNIA"... destiné aux Seniors, ce qui part d'une intention louable... Mais cet Hôtel "tout confort" n'est pas une "Maison de Retraite" quelconque : son nom l'indique bien d'ailleurs : il s'agit d'un hôtel tout confort, réservé certainement à une clientèle fortunée, puisque les "bénéfices" escomptés divent servir aux résidences de prêtres âgés... Quand on sait le prix de la vie au Portugal, cette nouvelle laisse quelque peu rêveur!)


BRAGA- Hôtel Betânia.jpg

 

 

Arquidiocese investiu 1,7 milhões de euros no Betânia

 

Arcebispo espera que hotel sénior

 

seja uma «casa de família»

 

 

 

A Arquidiocese de Braga inaugurou, ontem, um espaço residencial para idosos no centro histórico da cidade, numa parte do edifício quinhentista do Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo.

O Betânia – Hotel Sénior, um investimento de 1,7 milhões de euros, tem capacidade para 40 utentes e começa a receber os primeiros hóspedes daqui a 15 dias.

Na cerimónia, o Arcebispo de Braga, que procedeu à benção das instalações, manifestou o desejo de que este espaço seja um «local de repouso, onde haja encontro de amigos, de alimentação serena com todas as qualidades e exigências» e um lugar onde também tenha espaço a vertente espiritual, «numa ligação profunda

com Jesus Cristo».

«O que se pretende, no fundo, é que seja uma casa de família, onde as pessoas se sintam à vontade, onde possam viver serenamente, calmamente os dias que o Senhor Deus lhes der», realçou D. Jorge Ortiga.

O prelado disse que esta estrutura resulta também da vontade da Diocese de requalificar o seu património antigo para o não deixar degradar.

«Queremos que este espaço seja um requalificar de todo um local privilegiado da cidade.

Também poderemos ajudar a que o centro histórico de Braga seja novamente repovoado, com os residentes aqui e com as pessoas que os venham visitar. Vai ser um lugar que vai trazer mais movimento a este coração da cidade», afirmou.

O Arcebispo esclareceu que não se trata de uma obra social no sentido estrito e rigoroso da palavra, mas também não é uma obra que tenha meramente intuitos lucrativos.

O lucro que vier a ser apurado será para «garantir qualidade de vida» aos sacerdotes que estão na Casa Sacerdotal e noutras casas particularmente nos últimos anos das suas vidas. «Não é o lucro que nos preocupa, mas se por ventura isso acontecer será em benefício daqueles que gastaram a sua vida ao serviço do reino de Deus», reforçou.

 

Hotel tem nome de localidade onde Cristo repousou

 

O hotel chama-se Betânia porque este nome está associado a momentos de repouso de Jesus Cristo. Betânia era uma pequena localidade a cerca de três quilómetros de Jerusalém onde ficavam a pernoitar muitas pessoas, quer de Jerusalém, que de fora. Jesus Cristo foi acolhido por Pedro ou Simão o Lepreso e nessa casa, em Betânia, se terá introduzido Madalena que derramou perfume

sobre os seus pés.

«Era um local onde se conjugava a interioridade e ao mesmo tempo a vontade de servir bem o próprio Jesus Cristo », disse o prelado. O hotel sénior ontem inaugurado, na Rua D. Afonso Hentiques, possui quatro suites de casal, 18 suites individuais e sete duplas. Unidades residenciais que se distribuem por três pisos superiores apresentando-se adornadas com uma «decoração contemporânea, com mobiliário cómodo, adaptado às necessidades utentes».

No primeiro piso ficam as áreas comuns, nomeadamente a sala de estar, biblioteca, sala de jantar, oratório, solário/esplanada e também um espaço da administração.

No rés-do-chão encontra-se a recepção e sala de estar. O arquitecto que projectou a obra deu conta das alterações que, por força da nova regulamentação, tiveram de ser efectuadas, designadamente,no que se refere ao tamanho das portas, quartos e casas de banho, mas também sistema de climatização, saídas de emergência, etc.

Segundo António Jorge Fontes, houve que executar trabalhos a mais do que estava previsto, mas «dentro da contenção, conseguiu-se o máximo de qualidade possível para que as pessoas se sintam bem».

Segundo Mário Paulo Pereira, assessor financeiro da Diocese de Braga, há já muitos interessados em fixar residência no hotel, que foi outrora a casa sacerdotal da Diocese. «O edifício foi renovado e conseguimos dotá-lo de outro tipo de infra-estruturas e qualidade ímpares para receber agora outro tipo de utentes », assinalou.

Os utentes pagam uma jóia inicial e depois uma mensalidade fixa, beneficiando de serviços médicos, enfermagem, lavandaria e alimentação. O hotel fornece ainda uma componente cultural (passeios e outra actividades), e, a título extra, um serviço de Spa.

As suites são adquiridas em direito de utilização vitalícia. Mário Paulo Pereira refere que este hotel vem preencher uma lacuna na cidade de Braga neste tipo de oferta, já que prima por uma «assistência personalizada, respeitando, porém, sempre a independência e autonomia de cada residente». «Isto não é um lar normal, é um sítio onde se pode conviver em família e tem os serviços de hotelaria. As pessoas vêm aqui para relaxar e ter uma vida longa. Podem sair e fazer perfeitamente uma vida autónoma», disse.

Os utentes estão a escassos metros da Sé de Braga e de outros monumentos e espaços de interesse no casco histórico da cidade e dispõem de um jardim no exterior do edifício.

Jorge OLIVEIRA (Diario do Minho, 08/10/2011)

 

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08/10/2011

BOM JESUS DO MONTE, Chef d'oeuvre du baroque portugais

Pour tous les habitants de Braga, pour les gens du Minho, pour tout le Portugal, l'ensemble religieux connu sous le nom de "BOM JESUS DO MONTE" est un site à la fois religieux et touristique parmi les plus réputés du PORTUGAL. C'est à ce titre que va se tenir prochainement un congrès sur le "Baroque" portugais et brésilien.

Voici un article qui en traite longuement (sera-t-il traduit en Français? l'avenir le dira...). Il a l'avantage d'être illustré de quelques gravures anciennes (Source: "Diario do Minho")


BOM JESUS DO MONTE, gravure ancienne

Bom Jesus do

 

 

Monte (200 anos


 

depois)

A Confraria de Bom Jesus do Monte vai assinalar durante o mês de Outubro (dias 20 a 22) a data da conclusão arquitectónica do Templo com a realização de um evento de carácter científico, a saber: a realização de um Congresso sobre o Barroco, o primeiro especialmente consagrado às realizações do barroco em Portugal e no Brasil, reunindo estudiosos brasileiros e portugueses.

Na verdade, o actual Templo que remata o monumental escadório, com as Capelas e Passos da Paixão, ficou concluído em Setembro de 1811, substituindo um antigo Templo Barroco que vinha do tempo de D. Rodrigo de Moura Teles (1704-1728) e que ocupava o patamar inferior ao que ocupa o actual (onde se encontra hoje um fontenário artístico). Continuariam depois as obras com o preenchimento dos interiores (das talhas e pinturas), e depois continuando também vários arranjos nos jardins exteriores que se prolongariam por todo o Século XIX e que, praticamente, lhe deram a feição geral com que hoje o conhecemos.

Podemos dizer que o conjunto arquitectónico passou por 4 ou 5 momentos principais: uma primitiva capela ou ermida dedicada a Santa Cruz, que vem, sem dúvida, do Século XIV e que, com certeza, deve a sua fundação ao Arcebispo D. Gonçalo Pereira (1326-1348) sob invocação de Santa Cruz do Monte.

Este Arcebispo esteve na Batalha do Salado (1340) – uma das decisivas batalhas peninsulares – travadas contra a presença e domínio árabes na Península. O Arcebispo esteve aí, com Afonso IV, com as suas hostes e as de seu filho – D. Álvaro Gonçalves Pereira.

O Primaz atribuiu essa notável e decisiva vitória à intervenção de Santa Cruz de quem era devoto e que seu filho, Prior do Crato, levava arvorada em estandarte, conduzindo as hostes: Neste sinal da Vera Cruz… vencereis seus inimigos (Ruy de Pina, Chronica d´El-Rei Dom Affonso IV. Ed. Biblion Lisboa. 1936,168).

O resultado foi a erecção em Braga de uma ermida comemorando o feito e assinalando essa devoção. Curioso é notar que Afonso XI atribuiria a vitória, por sua vez, à Senhora de Guadalupe. Por idêntico motivo, fundou, nas imediações, um Santuário (sobre uma ermida anterior) que, pelo andar dos tempos, se transformaria num grande e aparatoso complexo e se volveria num importante centro de peregrinação em toda a Andaluzia e em toda a Espanha. Duas iniciativas devocionais que, no caso português, mais verosímil torna esta primitiva fundação de D. Gonçalo Pereira. A Ermida, desde aí, foi reunindo devoções e atraindo devotos, nesta primeira fase, essencialmente da Cidade de Braga. Pelos anos de 1373 se impunha a uma Irmandade sediada em Braga, (que também tinha essa devoção), que os seus irmãos « fossem de Braga à ermida de Santa Cruz pelo dia de S. João, do mês de Maio, de cada ano, pelo exaltamento da Santa Vera Cruz de Cristo”. Essa vetusta ermida seria substituída por uma outra de traça “moderna” – gótico final, ou manuelina ou renascentista – como era já a moda do tempo – atendendo, até, à importância e ao enorme património económico da personalidade a quem se atribuem essas obras (pelos anos de 1493-98) – D. Jorge da Costa. Mais que restauro, ter-se-á tratado de uma nova fundação em torno do mesmo devocionário – a Santa Cruz. Durante muito tempo, essa data seria tomada como a data da fundação do Bom Jesus do Monte. Por cerca de 1525, essa construção já oferecia ruína. O Deão D. João da Guarda, ao tempo em que D. Diogo de Sousa refundava e modernizava a cidade de Braga, com vários edifícios ao estilo Manuelino e da Renascença, reconstruiu ou, mais verosimilmente, edificou nova capela que alguns definem como “construção em grande”. Com peripécias várias, seria essa construção a que alimentou as devoções e os interesses de alguns particulares até 1629, altura em que se criou a Irmandade ou Confraria de Bom Jesus do Monte, que desde aí, também com peripécias e acidentes vários, tem regido, até à actualidade, os destinos devocionais e artísticos do Complexo do Bom Jesus do Monte. Surgia, a partir daqui,uma nova feição monumental a cujos traços gerais obedeceu a posterior intervenção de D. Rodrigo de Moura Teles, documentando, até ao tempo da intervenção deste Arcebispo, os primeiros passos do maneirismo e do barroco nortenhos. O complexo monumental, de feição barroca setecentista, com as capelas dos Passos da Paixão (que já existiam antes, mas foram refundadas ou construídas de novo, com o escadório monumental e suas fontes e um Templo (vulgarmente descrito como Capela) que rematava esse complexo e que ocupava, como dissemos, o imediato patamar abaixo do actual templo, são obra daquele grande Arcebispo – D. Rodrigo de Moura Teles (1704-1728) – a quem Braga, nesses aspectos, muito deve. Intervenções essas, que aqui se materializam a partir de 1722.


BOM JESUS DO MONTE, gravure ancienne

Os tempos posteriores são de prosperidade devocional e monumental. O Bom Jesus do Monte transforma-se no grande santuário de romagem não só de Entre-Douro-e-Minho como do conjunto do Reino. Aí acorrem devotos de todas as Províncias, desde o Minho à linha do Tejo. Melhor: “do reino todo”, com devoções que se estendiam ao Brasil e outras possessões ultramarinas (Fernando Castiço: 97; 111;115). E as famosas romarias são agora (não o foram antes?) um misto de devoção religiosa e de folguedo laico e profano a que os tempos da festa (como foram essencialmente os do Século XVIII), e a beleza do lugar tanto convidavam, paralelos a um profanismo e laicismo que foi acompanhando o bem-estar geral que se sentiu por quase todo este Século XVIII, (tenham dito ou continuem dizendo, outros, o contrário) e que tiveram nas grandes romarias e centros de romagem a expressão mais completa e, por vezes, mais heterodoxa em termos de devoto procedimento.

Paga a promessa – e no tempo mais breve possível, (várias Memorias dos Párocos – c. 1750-1758, vide Dicionário Geográfico do P. Luís Cardoso, desta altura, são liminares a este propósito), ficava, então, o resto e o grosso do tempo para o lazer e para diversão, que era essencialmente o que cada vez mais por esses centros se procurava. E poderíamos voltar, novamente, aos testemunhos de muitos párocos das Memórias Paroquiais. Entre outros, veja-se o testemunho do pároco de Tenões acerca do que, a meados do Século XVIII, já se passava com o Bom Jesus: “Agora, neste tempo do verão, quazi todo os dias vem furias de gente à ditta romagem (ao templo do Bom Jesus do Monte). E nesta sahida de Braga muitos gastam a sua sustancia: huns com a varriga outros por pecados offendendo a Deos e servindo-lhe o mesmo Senhor de escudo para o virem offender. Infim, hé hum sítio para onde corre tudo: o bô e o mao” (Em Memórias Paroquiais. Distrito de Braga. Ed. Viriato Capela. Braga, 2003, 207). Cumpria-se, desde há bastante tempo, o aviso de Aristóteles corroborado por S. Paulo (outro grego, aliás): o que mais rege o Homem é o animal e não o espiritual, isto é, mais o corpo que a alma! Pelo menos, um quinhão bem repartido! As acomodações tornaram-se exíguas e, por sua vez, a Capela ou Santuário que rematava o escadório começou a ameaçar ruína. Eram chegados os tempos das últimas grandes intervenções artísticase arquitectónicas que deram ao Santuário a feição que hoje conhecemos. Correu paralelas com outra época de esplendor arquitectónico que a cidade de Braga conheceu, com o último Arcebispo régio – D. Gaspar de Bragança (1758-1789). Coincidia também com o apogeu económico do próprio Santuário ou Confraria. Vários artistas de renome para este Santuário: engenheiros, arquitectos como carpinteiros e imaginários e pintores, como Mestres pedreiros de notável perícia, conhecimento, e qualidade que os equiparava a verdadeiros engenheiros e arquitectos diplomados, alguns dos quais tiveram, por anos, a responsabilidade directa de várias obras. (É por estes anos que se regista a presença de outro grande nome do barroco nortenho, André Soares, cuja presença aqui nos parece ter sido mais alargada e mais precoce do que o que se tem dito e afirmado. Logo veremos). Um período de prosperidade para o Santuário. Na verdade, visitando por estes tempos a cidade, o Marquês de Bombelles, desde 1786 embaixador da Corte de França, anota que bastariam as esmolas deste Santuário para se abrir a estrada de Lisboa ao Porto, (que se começava e logo se sufocava nos descaminhos e nas dificuldades financeiras).

Ameaçando ruína a “Capela” Setecentista do tempo de D. Rodrigo, exíguos os espaços de culto e acomodações, encomendou-se um novo Templo. Seria construído no patamar superior ao que ocupava o anterior, do tempo de Moura Teles. Foi seu autor o engenheiro Carlos Amarante, que já na cidade exercia importantes cargos em obras e por incumbência do Arcebispo e da edilidade e que na mesma deixaria outras obras notáveis (v. g. o actual Hospital de S. Marcos, como também na Cidade do Porto. Por simples curiosidade, aqui lateral, se diga que o primeiro projecto de uma ponte, de um só arco, para o Douro, a si se deve). Começaram as obras em 1784 tendo-se concluído em Setembro de 1811.

É este acontecimento que serve de pretexto para a realização do referido Congresso,

mas também de efeméride comemorativa dos 200 anos da conclusão arquitectónica do actual Templo. Embora vários exemplares da obra deste arquitecto estejam muito ligados ainda ao barroco terminal, podemos dizer que, com o Novo Templo do Bom Jesus do Monte, na traça arquitectónica, como na decoração dos interiores (que quase na totalidade se lhe devem, também, se remata em Braga, e em geral, o Ciclo do Barroco, abrindo-se decisivamente o caminho ao neo-clacissismo, estabelecendo, em simultâneo, um corte e um remate da formulária barroca que continuou (e continua) presente no Escadório, nas Fontes e nas Capelas dos Passos e outras que, entretanto, compuseram todo o conjunto.

Uma obra simbolicamente emblemática: um novo edifício de traça neo-clássica, rematando, coroando e, de certo modo, fechando, todo um conjunto barroco, rematando toda uma época. O Congresso que se irá realizar entre 20 e 22 de Outubro, focará e tratará vários aspectos da arte do barroco em que o Bom Jesus se insere, do primeiro ao último momento, como ainda outros aspectos importantes que têm a ver com o substrato económico que suportou e garantiu estas realizações artísticas, com a sociedade que as encomendou, as apreciou e delas usufruiu, como dos sentimentos e representações anímicas, culturais sentimentais e religiosas (da música à literatura) que enlaçam a produção Barroca e a Sociedade do Barroco.

Aurélio de Oliveira

(Da Faculdade de Letras do Porto. ap)


BOM JESUS DO MONTE, aujourd'hui


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25/06/2011

ÉVÊQUES PORTUGAIS ET POLITIQUE

Le Portugal a récemment, par des élections législatives consécutives à la démission du Gouvernement socialiste, changé nettement d'orientation politique : de la gauche il est passé à la droite (modérée).

A cette occasio, les Evêques, assemblés à FATIMA, ont décidé de publier une note, rappelant qu'ils n'ont pas à diriger la politique du pays, mais qu'ils se doivent de rappeler l'enseignement de l'Eglise. C'est pourquoi ils rappellent, dans la note ci-dessous, quelques-uns des principes de base qui, selon l'Eglise (et l'Evangile) doivent inspirer toute politique, de quelque orientation qu'elle soit.

Ci-dessous, cette note, en langue portugaise.

 

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BANDEIRA PORTUGUESA.png

Comunicado do Conselho Permanente a propósito do momento presente da Sociedade Portuguesa

Os cristãos e todos os portugueses sabem que nós, Bispos e sacerdotes, evitamos tomar posição sobre as questões da política directa, preservando o nosso ministério espiritual, da polémica que, naturalmente, acompanha o debate partidário.

Foi por isso que não respondemos às diversas solicitações que nos foram feitas para que falássemos no período que antecedeu as últimas eleições legislativas.

E se o fazemos hoje, depois de o Povo Português ter indicado, pelo seu voto, o rumo que deseja para Portugal, não é para comentarmos politicamente os resultados, mas porque achamos que a Palavra da Igreja pode ajudar a discernir o caminho da salvaguarda do “bem-comum” de toda a sociedade, no momento difícil que Portugal atravessa.

Verificámos que alguns líderes políticos, no calor da disputa eleitoral, referiram a Doutrina Social da Igreja para secundar as suas propostas políticas. Tinham o direito de o fazer, pois a vastíssima doutrina da Igreja sobre a sociedade pode, realmente, inspirar programas de governação.

É nessa perspectiva que ousamos, neste momento particularmente delicado do nosso País, sublinhar os seguintes aspectos:

1. A prioridade do “bem-comum” de toda a sociedade sobre interesses individuais e grupais é um dos pilares da doutrina da Igreja sobre a sociedade e que pode, neste momento, inspirar as opções governativas. Vamos pôr o bem da sociedade em primeiro lugar. Isso exige generosidade de todos na colaboração e aceitação dos caminhos necessários, na partilha de energias e bens, na moderação das opções ideológicas e estratégicas. Partidos, sobretudo os seus representantes que o Povo elegeu, as associações laborais, empresariais e outras, são chamados à generosidade de defenderem os seus direitos e interesses, dando prioridade total ao bem de toda a sociedade.

2. Além de generosidade, este momento exige, de todos os portugueses, grande realismo. A situação diminui a margem, legítima em democracia, para utopias. É este sentido de realismo que nos indica que devemos procurar soluções para Portugal no quadro social, político, económico em que está inserido: União Europeia, zona da moeda única, conjunto de países que se estruturam na base do respeito pela pessoa humana e pela sua liberdade, concretamente da liberdade de iniciativa económica.

Isto não pode resignar-se ao inevitável. Portugal tem de dar o seu contributo à evolução positiva, concretamente da União Europeia da zona Euro, e só o fará se resolver positivamente, reconquistando a credibilidade, o momento que passa.

Deve fazê-lo procurando que o esforço de equilíbrio financeiro não prejudique a economia, e que não se relativize a importância da saúde, da cultura e da educação.

3. A Doutrina Social da Igreja baseia a prioridade do “bem-comum” na vocação comunitária da sociedade. Esta não é um agregado de “indivíduos”, mas tende a ser comunidade, onde cada um se sente corresponsável pelo bem de todos, onde cada homem e mulher é nosso irmão.

Esta dimensão comunitária é prioritária na visão da Igreja. O amor fraterno, com a capacidade de dom, é o valor primordial na construção da sociedade. Sempre, mas de modo especial neste momento que atravessamos, os pobres, os desempregados,

os doentes, as pessoas de idade, devem estar na primeira linha do amor dos cristãos. Este é um dever prioritário da Igreja, que ela quer realizar pelos seus meios próprios, mas em colaboração com todos os que procuram o “bem-comum”. Esta atitude exige generosidade e capacidade de dom, de que o voluntariado é uma expressão nobre. Os próximos tempos vão exigir partilha de bens.

Mas não é a mesma coisa partilhar generosamente, e ser obrigado a distribuir. Temos de criar um dinamismo colectivo de generosidade e de partilha voluntária, fundamentada no amor à pessoa humana.

4. Há ainda na nossa sociedade muitas expressões de egoísmo, que vão desde a corrupção ao enriquecimento ilícito, a uma visão egocêntrica do lucro, etc. Uma ética da generosidade, da honestidade e da verdade tem de fazer parte da cultura a valorizar.

O próprio sistema de justiça tem de ser um serviço que combata os atropelos à generosidade, à honestidade e à verdade. Sem um bom sistema de justiça, nenhuma sociedade será verdadeiramente justa. Este momento de crise pode levarnos a todos a lançar os dinamismos para a construção de uma sociedade mais fraterna e solidária. A Igreja quer, não apenas pela sua palavra, mas pelo seu compromisso na acção, ser a afirmação da esperança.

Fátima, 14 de Junho de 2011

CEP

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11:39 Publié dans PORTUGAL | Commentaires (2)

 
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