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24/02/2012

24/02/2012 : ADORATION PERPÉTUELLE ("LAUSPERENE") À BRAGA

LAUSPERENE QUARESMAL EM BRAGA (Portugal)

 

LAUSPERENE EM BRAGA.jpg

 

O Lausperene Quaresmal constitui uma das tradições mais importantes da preparação pascal na cidade de Braga. Foi D. Rodrigo de Moura Telles, quando fez o relatório para a primeira visita “Ad Limina”, quem pediu ao Papa Clemente XI a instituição do lausperene quaresmal nas igrejas da cidade de Braga, começando na quarta-feira de cinzas e terminando no Domingo de Ramos. Esta celebração deveria ter as mesmas indulgências que haviam sido concedidas anteriormente às igrejas de Lisboa, no ano de 1682, por intermédio do Papa Inocêncio XI.

Passados mais de três séculos, esta tradição continua viva e enraizada na vivência quaresmal dos bracarenses. São, no total, 23 os templos que acolhem o lausperene quaresmal, que decorre ao longo de dois dias em cada igreja, tempo durante o qual a Sagrada Eucaristia está exposta em adoração permanente desde o princípio da manhã até ao fim da tarde.

As igrejas surgem transfiguradas. Trata-se do momento mais elevado do ano, altura única em que os fiéis bracarenses se deslocam em massa a estes lugares sagrados.

Os templos, que acolhem durante dois dias a adoração eucarística, são decorados primorosamente com flores, velas e monumentais cortinas, contrastando com a austeridade que os cânones litúrgicos aconselham por estes tempos quaresmais.

As tribunas, habitualmente localizadas ao centro do altar-mor em forma de escada, continuam a ser o lugar por excelência da adoração eucarística, sobre a qual se exibe, muitas vezes, a custódia ostentando as sagradas partículas do Corpo de Cristo. Apesar de os recentes preceitos do Concílio Vaticano II recomendarem que os tronos não estejam demasiado distantes dos fiéis, continua a cumprir-se a tradição bracarense de os pompear, mesmo nos casos em que a custódia é colocada já sobre a mesa do altar.

A porta principal da igreja é vedada com uma enorme cortina púrpura, de forma a assinalar o “Louvor Perene” (lausperene) que é vivenciado no seu interior. Junto à entrada, acolhem-se também as habituais “rebuçadeiras”, que expõem os tradicionais “rebuçados do Senhor” embrulhados em papéis multicolores, tentando os crentes com promessas mélicas que possam quebrar o seu jejum quaresmal.

Em tempos não muito recuados, as igrejas competiam entre si pelo título de mais bela do lausperene quaresmal. Daí o esmero nas decorações dos templos, que as zeladoras adstritas a cada lugar sagrado faziam questão de confirmar. Ainda se ouve dizer que o Senhor «esteve bem mais bonito na minha igreja», em conversas

entre vizinhas. Uma rivalidade ”sagrada” que o tempo acabou por desgastar. Hoje, a maioria dos fiéis que frequenta as igrejas durante o sagrado lausperene busca a oração e o recolhimento, o sentimento de que a proximidade com o Corpo de Cristo se torna realidade mais efetiva neste tempo favorável que é a Quaresma.

 

A História da Adoração Eucarística

 

A prática da adoração eucarística tem raízes na criação da reserva das espécies sagradas, que terá surgido ao longo da Idade Média como expressão da necessidade derivada da crescente participação de fiéis nas Eucaristias. Nos primeiros séculos da Igreja, a “reserva eucarística” destinava-se principalmente a guardar de maneira digna a Eucaristia, para ser levada aos doentes e aos moribundos. Dada a necessidade de ser consagrado um número considerável de partículas, foram surgindo os primeiros sacrários, para que os elementos sagrados

estivessem protegidos de profanação por ratos e homens ímpios. As espécies deveriam ser mantidas em local fechado à chave e, por vezes, inseridas num recipiente alto o suficiente para estar fora do alcance de quem tivesse intenções profanas. No início, a reserva eucarística tinha lugar discreto nas sacristias. A partir do século XI começa a ocupar lugar no corpo da igreja, na proximidade do altar, num cofre móvel. Progressivamente, constroem-se tabernáculos monumentais. Por fim, já no século XVI, o sacrário ocupará lugar no próprio altar. Assim, o culto e o respeito pelos lugares onde se localizavam os sacrários, salientados como lugares da presença real de Jesus Cristo na Eucaristia, foram ganhando relevo na vida eclesial.

Perto do final do século XI, entramos em uma nova era na história da adoração eucarística. Berengário (999-1088), arcediago de Angers, na França, negou publicamente que Cristo estava real e fisicamente presente nas espécies do pão e do vinho. Este caso obrigou à intervenção do Papa Gregório VII que, para além de ordenar que Berengário se retractasse, fomentou a existência de uma espécie de renascença eucarística. Foram instituídas, por este tempo, procissões do Santíssimo Sacramento, atos de adoração ou visitas a Cristo na píxide.

Já no princípio do século XII, foi incentivada a elevação da hóstia consagrada, rito desconhecido até então, mas que ganhou uma popularidade extraordinária.

Nasce o costume, em alguns lugares, de tocar o sino, para que os ausentes acorressem à elevação. Paralelamente, é introduzida pouco depois a elevação do cálice, embora não se pudesse ver o preciosíssimo sangue. Introduz-se igualmente o costume da incensação às elevações depois da consagração, a partir do século XIV. Pela mesma época, surgem as genuflexões do celebrante depois das elevações. A contemplação da hóstia adquire tal importância que chega a ser considerada uma forma de comunhão - comunhão pelo olhar-, paralela ou mesmo equivalente, para alguns teólogos, à comunhão sacramental.

Enquanto se discutia o valor da comunhão pelo olhar, ia diminuindo a participação na comunhão sacramental. Desde há muito que se assistia a uma progressiva redução da participação dos fiéis na comunhão, a ponto de surgirem intervenções do Magistério prescrevendo aos fiéis os mínimos aceitáveis para um cristão. Assim, no século XIII, o Concílio IV de Latrão (1215) sentiu a necessidade de determinar a comunhão ao menos uma vez por ano, na Páscoa. Não havia nada de surpreendente, portanto, quando o Papa Urbano IV, no século XIII, mais precisamente a 11 de agosto de 1264, instituiu a festa de Corpus Christi. Como prolongamento da sagrada exibição da hóstia na missa, nascem as procissões eucarísticas, ligadas a esta festa, e que se tornam na maior exibição pública da fé cristã. Em Portugal ,ainda hoje existem inúmeras tradições associadas à festa do Corpo de Deus.

Em 1592, o Papa Clemente VIII assina um documento intitulado “Quarenta Horas”, instituindo uma devoção de quarenta horas de oração contínua antes do Santíssimo Sacramento ser exposto. Na Sé Primaz de Braga ainda hoje se realiza esta celebração, nos três dias anteriores ao início do Lausperene Quaresmal.

(Source : « Diario do Minho » - 23/02/2012)

 

 

ererererere

10:19 Publié dans RELIGION | Commentaires (0)

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